A decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de reajustar os tetos de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para as faixas 1 e 2 foi recebida de forma positiva pelo setor da construção civil e do mercado imobiliário em Sergipe.
A medida passa a valer a partir de janeiro de 2026 e beneficia diretamente a capital sergipana, que está entre os 75 municípios contemplados em todo o país.
De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o reajuste atende a uma demanda antiga do setor, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o aumento dos custos de materiais e da mão de obra vinha comprometendo a viabilidade de novos empreendimentos voltados à habitação popular.
Em Aracaju, classificada pelo programa como capital regional, o teto para financiamento nas faixas 1 e 2 passa de R$ 250 mil para R$ 260 mil, um reajuste de 4%. A atualização representa um alívio para incorporadoras e construtoras locais e amplia as possibilidades de acesso à casa própria para famílias de menor renda.
A Associação dos Dirigentes das Empresas da Indústria Imobiliária de Sergipe (ADEMI-SE) avalia a mudança como estratégica para destravar projetos que estavam no limite da viabilidade econômica.
Para a entidade, o novo teto se aproxima mais da realidade do mercado imobiliário aracajuano e ajuda a recompor parte das perdas provocadas pela inflação nos custos da construção.
“A atualização dos valores é fundamental para manter o Minha Casa, Minha Vida ativo e eficaz em Aracaju. Com os tetos antigos, muitos empreendimentos não fechavam a conta. Esse reajuste fortalece a política habitacional, estimula novos lançamentos e contribui diretamente para a geração de emprego e renda no estado”, avalia o presidente da ADEMI-SE, Evislan Souza.
O reajuste aprovado pelo Conselho Curador do FGTS vale apenas para as duas faixas mais baixas do programa: a faixa 1, destinada a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, e a faixa 2, que atende famílias com renda entre R$ 2.850,01 e R$ 4,7 mil. Em cidades com população entre 300 mil e 750 mil habitantes, como Aracaju, o aumento foi de 4%. Já em metrópoles maiores, os reajustes chegaram a 6%.
Ao longo de 2025, o governo federal promoveu uma revisão completa dos tetos de financiamento das faixas 1 e 2 em municípios de todos os portes. A atualização mais recente impacta cidades que concentram cerca de 25% da população brasileira, incluindo diversas capitais do Nordeste, como Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, Natal, João Pessoa e São Luís, além de Aracaju.
Para a CBIC, a medida reforça o papel do Minha Casa, Minha Vida como uma das principais políticas públicas de inclusão social do país. A entidade destaca que a adequação dos valores contribui para o desenvolvimento regional equilibrado e para a sustentabilidade do setor da construção civil, especialmente em mercados como o de Sergipe, onde o programa tem forte impacto econômico e social.
Criado em 2009, o Minha Casa, Minha Vida oferece condições diferenciadas de financiamento, como juros mais baixos e subsídios, para famílias que ainda não possuem imóvel próprio. Com o novo reajuste, a expectativa do setor imobiliário em Aracaju é de retomada do ritmo de lançamentos voltados às faixas de menor renda, ampliando o acesso à moradia e movimentando a economia local.