Anualmente, cerca de 1,5 milhão de famílias no Brasil buscam realizar o sonho da casa própria, refletindo mudanças nas configurações familiares e a busca por melhor qualidade de vida. Atualmente, o país enfrenta um déficit habitacional de aproximadamente 7 milhões de famílias. Em Sergipe, esse número atinge cerca de 100 mil, sendo 36 mil famílias apenas na capital, Aracaju.
Em entrevista ao Jornal da Xodó, da rádio Xodó FM, na última terça-feira (14), o presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas da Indústria Imobiliária de Sergipe (ADEMI-SE), Evislan Souza, enfatizou a importância da colaboração entre os governos federal, estadual e municipal para oferecer moradia digna à população, especialmente às parcelas mais vulneráveis.
“Anualmente, surge uma demanda de 1,5 milhão de novas famílias no mercado necessitando de moradia, e o Governo Federal consegue atender cerca de 500 mil. O Governo Lula trouxe o programa Minha Casa Minha Vida Cidades, permitindo que estados e municípios complementem com subsídios, pois as famílias só conseguem financiar 80% do valor do imóvel. Se um imóvel custa R$ 200 mil, elas só conseguem financiar R$ 160 mil, mas quem ganha um salário mínimo não tem R$ 40 mil guardados”, explicou Evislan.
Ele destacou avanços significativos em Sergipe, mencionando o envio de dois projetos de lei à Assembleia Legislativa pelo Governo do Estado, visando a criação de programas habitacionais específicos. Um desses programas é direcionado aos servidores públicos estaduais que ainda residem de aluguel ou não possuem casa própria. Por meio do Banco do Estado de Sergipe (Banese) e da Secretaria de Planejamento, o governo estabelecerá diretrizes para subsidiar até 20% do valor do imóvel, oferecendo assistência aos servidores inscritos no programa. 
Desafios e perspectivas para 2025
Evislan também apontou os desafios que as construtoras e incorporadoras enfrentarão em 2025 e como a ADEMI-SE tem apoiado seus associados.
“Em 2024, tivemos incentivos importantes, como isenções fiscais e o relançamento do Minha Casa Minha Vida no início do ano. Além disso, a reforma tributária trouxe expectativas positivas para o setor. No entanto, em 2025, o principal desafio será a oscilação da economia, especialmente o câmbio, já que 20% dos insumos utilizados são importados. Isso impacta os custos de produção, que precisam ser repassados aos clientes, o que nos preocupa”, explicou.
O presidente da ADEMI-SE destacou ainda os incentivos do programa Minha Casa Minha Vida.
“No Nordeste, por exemplo, as taxas de juros para quem ganha até dois salários mínimos são de 4%, o que ajuda bastante. Além disso, o governo federal oferece um subsídio de até R$ 55 mil para famílias nessa faixa de renda, o que é essencial para viabilizar a aquisição da casa própria”, concluiu.